quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Love thy neighbour"??

Estava sentada numa rocha no meio daquela planície que já tinha visitado, quando vem ter comigo um rapaz, que estava a cuidar dos cavalos. Perguntou-me se estava perdida, e começamos a conversar sobre o lixo que estava espalhado por todo o lado. Dez minutos depois já conhecia os Tios dele.



Levou-me a ver os cavalos que eu tanto gostava. Pude toca-los, cheira-los, achei que tinham cabeças enormes, disse-me que um dia me ensinava a montar. Decidi acompanha-lo a cuidar o gado. Devemos experimentar coisas diferentes de vez em quando.

Íamos sempre falando de tudo, carros, deus, desporto, animais, estudos, política, etc, a andar na lama, nos sentamos num muro, continuamos a andar, atrás do gado, e lá se passou a tarde. De repente já eram as cinco, fomos com os tios dele até um café beber qualquer coisa. Eles sempre a meter-se com o rapaz, a fazer insinuações amorosas na brincadeira. Depois no topo da colina conversamos todos e rimos. Descemos na carrinha antiga deles, tinha caixa aberta e não resisti, pedi para ir atrás, afinal a última vez que o tinha feito era ainda criança, e adoro a liberdade de sentir o vento na cara, os solavancos da terra e ter que me agarrar para não sair "disparada" da carrinha. Ele veio comigo. Convidaram-me a ir ver a horta, e eu claro que embora sentindo um ligeiro toque a perigo, porque de facto estava no meio de pessoas que hoje de manhã eram estranhos, Fui.



Andando, terrenos verdejantes, mais restos de carros escondidos lá no meio da vastidão verde. Chegamos a horta, que tinha uma nascente ao pé. Ofereceram-me duas alfaces biologicas, não queria incomodar mas também não recusei por achar que seria falta de respeito. Aqueles "estranhos" me tinham tratado como se eu fosse da família. De regresso vim só com o rapaz dos cavalos, como lhe chamo. Tinha sempre a mão pronta a ajudar-me para o caso de eu escorregar de algum calhau ou para eu não ir pelo caminho mais lamacento. Enquanto falávamos ele referiu-se a nós como um casal, comparando-nos a outras pessoas que se viam até ao horizonte.

Só lhe ofereci um sorriso tímido já que não sabia o que opinar daquilo, sinto como se já o conhece-se há muito tempo.

Chegamos à rua de terra batida que eu semanas antes tinha percorrido com o meu irmão. Aguardamos ao pé da carrinha, disse que gostara muito da tarde e que me acompanhava até a minha casa, que fica a três km daí. O Carlos e o João, os tios, chegaram e traziam couves, ofereceram-me ainda mais dois limões, enormes que se notava serem naturais, pela sua forma peculiar e algumas manchas.

Perguntaram-me quando poderia voltar a passar por lá, eu disse que só tinha uma folga. E fiquei convidada a voltar na semana seguinte, embora me senti-se a 'invadir' a vida destas pessoas. Mas concordei que se pudesse voltaria.

Acabei por aceitar a boleia de um dos tios, na carrinha, despedi-me do joão e do rapaz dos cavalos, que fez questão de dizer duas vezes " depois agente fala". No caminho o Tio falou-me de respeito, amizade, tudo palavras positivas e de paz por assim dizer, embora um pouco repetitivas. Deixou-me ao pé de casa. Logo, ao pisar outra vez a calçada, senti-me a voltar a realidade, como a Alice ao sair da toca de coelho, depois da sua aventura.

Abri a porta, subi pelas escadas, cumprimentei o meu vizinho simpático e entrei em casa. Vi o telemóvel e já tinha uma mensagem dele "Quando chegares liga". Deixei a mensagem repousar e cinco minutos depois ele ligou-me.

 Convidou-me para jantar num restaurante, hoje ou amanhã, disse que pagaria tudo. Recusei mas..

Liked the experience, will i do it again?



Afinal os estranhos não são tão maus assim.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

The mud in my boots



Fui outra vez visitar aquele espaço verde onde tinha ido procurar uma gruta. Colaride.

Desta vez vi muito mais, para além das vacas e cavalos que me chamavam a atenção, vi os montes de pneus, restos de carros e lixo por todo o lado. Pareceu-me um local mais sombrio desta vez. Havendo população por todos os lados, ninguém faz aparentemente nada para parar a degradação daquele espaço, que não é nenhuma localidade atrás de sol posto por assim dizer.

Fiz a minha pesquisa e deparei-me com o facto de que a reabilitação da zona pela Câmara de Sintra tem estado entre 'vai e não vai' desde pelo menos 2002.

Entretanto as industrias circundantes utilizam a gruta como esgoto para efluentes industriais, pondo em risco o ambiente circundante e a saúde pública. Os empreiteiros deitam restos de obras pelo parque e pessoas sem civismo deitam tudo e mais alguma coisa para o chão. Vai acumulando.

Decidi fazer alguma coisa para alertar as pessoas sobre esta situação, e para saberem o património natural e histórico que se encontra na área.

site do Projecto com o apoio da 'Do Something'

Primeiro post sobre Colaride.


Ainda não sei bem como, mas há de mudar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

1 Euro por dia

Há pouco tempo, deparei-me com o facto de que mais do que 1,2 mil milhões de pessoas vivem com menos de um euro por dia. Cerca de 20% da população do planeta terra.
Pergunto-me como será possível viver com essa quantia reduzida de dinheiro por dia, de certo que estamos a falar principalmente em pessoas que vivem em países do terceiro mundo, em zonas isoladas, sem cuidados médicos, água potável, luz, etc. Aquilo que pessoas como eu têm como garantido (apesar de ser da lista "S\ Médico").

"Todos os anos, perto de 11 milhões de crianças morrem antes do seu quinto aniversário e todos os dias 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome."

 

A esperança média de vida no continente africano é de apenas 52 anos (em Portugal é 77), a  taxa de analfabetismo situa-se nos 40% (contra os 25% a nível mundial). E ainda temos a epidemia de SIDA.

 Mas não é nada que nunca tenha ouvido, graças as diversas campanhas existentes ao longo dos anos, para beneficiar estas pessoas.

 

Da próxima vez que for ao supermercado, vou tentar que a minha conta não passe de um euro, e tentar trazer algo que alimente e seja barato.


É claro que os preços, condições e acessibilidade dos produtos não tem nada a ver com o que se vive num pais subdesenvolvido, mas no entanto continuo com a minha curiosidade.

 

Tudo isto para tentar perceber, algo que não se pode explicar. O que é ficar todos os dias com fome? O que é não ter dinheiro nem forma de encontrar comida?

 

(FAO - UN)        A cada minuto, 12 crianças morrem de fome

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went shopping

5 carcaças, 1,5 L de água, uma couve e cenouras, e lá se foi o meu Euro.

 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Green, green grass of home



Sustentabilidade ecológica, paz, harmonia, compostagem, cooperação, abundância, desperdício mínimo,... “um sistema de planeamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis”.
A permacultura é tudo isto, mas também é muito trabalho. Entrar directamente na ideologia de "ser um com a terra", de certeza que não é para todos. Pode ser considerada uma evolução das "hippie communes" dos anos 60, tirando drogas, nudismo, falta de organização e isolação do mundo exterior (e também das redes de luz e água..)

Em Portugal já existem vários casos

Reportagem da RTP "REGRESSO ÀS ORIGENS" (Numa altura em que a crise coloca graves constrangimentos nos orçamentos das famílias portuguesas, encontram pessoas que mudaram hábitos de consumo para garantir um modo de vida auto-sustentável)

 Uma rede social para a troca de ideias e organização de eventos relacionados com a permacultura e o movimento de transição, que basicamente é o desejo de tornar uma cidade inteira sustentável, baseada no comércio local, independente do petróleo e de importações de alimentos.

Blogs de grupos que querem "libertar a sua cidade do domínio de combustíveis baratos".

Não faltam iniciativas, nem pessoas dispostas a lutar por esta causa. E é de certo uma opção alternativa para quem se preocupa com o planeta, tem espaço e tempo para desenvolver um projecto destes. Mas faz com que me pergunte, deverá a responsabilidade de cuidar do que é de todos, cair só nos ombros de alguns, enquanto outros desperdiçam? Trata-se de uma abertura da mente e responsabilidade social.

"You don't know what you've got
till it's gone.

 They paved paradise
and put up a Parking lot"

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Guerrilla Gardening com Hortas?

Guerrilla Gardening, para quem não sabe é basicamente reaproveitar, embelezar ou utilizar uma porção de terra 'abandonada' pelos seus donos legais (normalmente a junta ou câmara) e se encontra em estado de deterioração. É ilegal, pois o terreno não é nosso, mas é por uma boa causa, em princípio. Depende das intenções dos 'gardners' certo? pode ter por objectivo só embelezar, ou então provocar as autoridades. Estas acções ocorrem normalmente de noite por razões obvias. A Comunidade de Portugal, tem organizado algumas iniciativas, mas ainda não é um conceito muito divulgado no nosso país. Aparece-me sempre na cabeça a imagem de plantar girassóis na entrada de uma esquadra da polícia e vê-los germinar, claro pura fantasia.


"Turning abandoned eyesores around town into thriving botanical displays that brightens the community is a noble action, but the idea of planting free food in a community is a brilliant idea." Citação do site.

E isto leva-me a outra ideia muito interessante, a das Hortas comunitárias. Que pode-se considerar uma espécie de Guerrilla Gardening, quando feito em locais abandonados e 'no limbo entre juntas e câmaras'.  A ideia de ter uma horta que é cuidada por várias pessoas, e depois os 'frutos' da mesma serem partilhados entre a comunidade parece-me uma ideia excelente, para além disso trata-se de uma agricultura biológica e sustentável, promovendo uma alimentação mais saudável, livre de químicos e aditivos artificiais, característicos dos produtos que compramos no supermercado, é de facto uma maneira de melhorar a nossa saúde, poupando dinheiro(+ info).

Mas, como encontrar um terreno assim, no meio de uma cidade, com boa terra, tamanho considerável e acima de tudo conseguir materiais e pessoas para se juntarem neste projecto? É preciso persistência e paciência.
 Temos o exemplo de uma horta comunitária em Monte Abrão, com um blog a relatar os avanços e a convidar quem quiser para ajudar na horta. Uma inspiração de certeza.

Um plano para o futuro? Who Knows.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Everybody Needs a lil bit of mud in their boots

Hoje fui dar um passeio com o meu irmão, soube-me bem,
Tenho a necessidade de me separar do betão, alcatrão e fumo que está mesmo á saída do meu prédio.


Vivo no meio de um 'dormitório' em ascensão, nos subúrbios de Lisboa.

Depois de 30 minutos a caminhar já se viam grandes porções de zonas verdes, o que eu gosto.

Mais estradas e Auto-estradas?..
Fomos tentar encontrar uma gruta da qual já ouvi falar, procurei como chegar lá na Internet. Mas como muitas coisas aqui, é um recurso que não está bem explorado, podia bem ser um grande atractivo para a zona e até gerar receitas para a população local, mas infelizmente vêem-se frigoríficos no meio da imensidão verde, e o barulho das máquinas a derrubar árvores e empurrar terra não muito longe daí. Tenho a impressão que o território não está protegido, que cada um faz o que lhe apetece. Poderia ser muito mais, mas é mais fácil não fazer nada e deixar o lixo acumular-se junto as aves migratórias que por ali passam.

In the middle of the circle

Encontramos um estranho e grande circulo de pedras e árvores numa planície, a primeira vista pareceu-me uma espécie de local de culto, sabia que haviam ruínas de uma vila romana por esta zona, mas penso que esse círculo é mais recente, e é utilizado, tinha restos de uma fogueira no meio, quero descobrir a história e o propósito daquilo, a minha curiosidade pede que assim seja, mas tenho a impressão que terá que ser outro dia, de noite.

Havia cavalos, vacas, bois, cabras, ovelhas, coelhos, etc, suponho que tenham dono e andem simplesmente a solta por aí e voltem para 'casa' depois? não sei bem como funciona a vida do campo, mas pareceram ter uma grande liberdade naquele território verdejante, mais uma vez mencionando os pneus, móveis e restos de obras que por ali se encontravam de vez em quando.

Vimos os restos de um moinho, pedras cortadas, poços, mas mesmo não tendo encontrado a gruta em si, foi um excelente passeio, chegamos a uma planície que do outro lado tinha uma rua de terra batida, decidimos atravessa-la, sem saber que estava encharcada. A certa altura as minhas botas já de si castanhas estavam cobertas em lama da mesma cor, os meus pés afundavam-se até depois do meu tornozelo. Enquanto andava nestas condições não conseguia tirar um sorriso parvo da minha cara, o mesmo que tenho agora.

E chego sempre a mesma conclusão, o que eu gosto de fazer é experimentar a vida, estar rodeada de natureza, fazer o que ainda não foi feito ou que ainda não fiz. Seize the day.


P.S- Agora vou fazer o bolo de camadas com o qual convenci o meu irmão a acompanhar-me...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Como ser ecológico de forma passiva?

Ser ou não Ser, eis a Questão


Não Ser é muito mais fácil... Mas se nos preocuparmos com o planeta não há nada melhor do que ajudar a preserva-lo. E não é preciso ser um activista para ajudar nesta causa.

Formas fáceis e eficientes de ajudar o planeta:

- Deixar de usar sacos de plástico
É uma maneira muito simples. Se pensar-mos que cada vez que vamos ao supermercado, levamos entre 1 e 3 sacos no mínimo, é muito plástico durante uma vida. E para onde vão os sacos todos? no meu caso para a despensa. O meu ponto de saturação (altura em que deixei de aceitar sacos de plástico) foi ao entrar na despensa da minha casa e ver sacos por todo o lado, gavetas cheias, sacos com sacos dentro, ocupava uns bons 40% daquele pequeno espaço. E para além disso os sacos de lona ou tecido são mais confortáveis e fortes.

- Poupar água
É um bem precioso, e os sortudos que a tem como garantida muitas vezes não lhe dão o devido valor, desperdiçando-a.

- Consumir apenas o que precisa
E quanto é que preciso?, pode perguntar-se... Em termos de comida há o chamado fome e há o que se chama gula. Se se restringir aquilo que é preciso verá que deixa no supermercado as batatas fritas, as gomas e o toucinho fumado que tanto gosta. Verá que perde alguns quilos e se torna mais saudável. Também é aplicável ao consumismo material, Será que precisa mesmo daquelas calças que estão na moda, sabendo que tem 15 pares de calças parecidas em casa? É questão de separar e ter prioridades.

- Reciclar\Reaproveitar coisas velhas e usadas
Restaurar um móvel da sua casa em vez de o deitar fora.Guardar folhas usadas só de um lado para rascunho.

- Poderia pensar em ter algumas plantas na sua casa ou local de trabalho
Quem sabe até uma horta? Sua, Biológica,... Dá sempre gosto ver uma coisa 'nossa' crescer e dar frutos. Sim, depende do espaço que temos disponível, mas elas são decorativas e bonitas. Há quem diga que a jardinagem é relaxante. E estará a ajudar a diminuir o efeito estufa no planeta.

- Separar o lixo no Ecoponto
Hoje em dia, nas cidades de Portugal há ecopontos em todo lado. Uns passos a mais por dia até lhe faziam bem.



Poupar Energia:
- Mudar as lâmpadas de casa para fluorescentes
São mais caras é verdade, mas também mais eficientes, gastam menos 1\4 da energia das habituais, e a longo prazo valem a pena.

- Utilizar Painéis Solares ou outro tipo de energia renovável

Isto só se aplica aqueles que têm o dinheiro e espaço para os instalar, mas valem a pena.

- Dar Boleias
A pessoas que vão para o mesmo sítio, ou então a pessoas do trabalho, poupam a gasolina de um dos carros e convivem um bocado.

- Usar as escadas em vez do elevador
- Não deixar aparelhos electrónicos em Stand-by
Esta não preciso de explicar, certo? Quando a TV está 'desligada' mas tem aquela luzinha ligada, está a gastar energia.
- Deixar de lado a máquina de secar em dias de Sol

É só questão de fazer a escolha, Ser Eco ou não?